Luis GD writing
line
news
line
films
line
  reel
line
ayneh films
line
pellicle pictures
line
luisgd studios
line
other work
line
art
line
  writing
line
photography
line
drawings
line
résumé
line
links
line
     

1997 Story - Portuguese

 

Storlak Blackhand

            Meu nome era Kalmore Goodhand até o episódio triste que marcou minha vida quando eu tinha nove anos. Nasci nas terras do norte de Pittland. Meu pai era o bondoso Danym Goodhand, filho do então rei Mothar Goodhand, que comandava o reino de Pittland. Antes de eu nascer, meu pai viveu no castelo de Mothar. Ele tinha um irmão mais velho chamado Darys Goodhand.
            Segundo a tradição, quando Mothar morresse, Darys se tornaria rei, pois era o filho mais velho. Meu pai morria de inveja do irmão, que era totalmente incompetente para comandar um reino como Pittland. Ele sempre quis ser rei no lugar de Darys, mas Mothar sempre o rejeitou, e sempre dava razão e sua confiança á Darys. Durante sua juventude, os dois irmãos conheceram uma linda princesa de um reino chamado Werstock, e Mothar decidiu que Darys deveria se casar com ela. Seu nome era Wanda. Danym tinha um ciúme terrível de Darys e Wanda. Desde que se conheceram, Wanda amou Danym, mas se casou com Darys para poder se tornar rainha um dia. Mesmo assim, Wanda e Danym se encontravam às escondidas.
            Wanda realmente era linda, mas por trás de seu rosto de anjo se escondia uma maldade terrível que ninguém conhecia. Ao se casar com Darys, Wanda estava tremendamente anciosa para se tornar rainha o mais rápido possível, mas ninguém sabia porquê. Depois de alguns anos, Mothar ficou doente. Na época, a doença era incurável, e fazia a vítima sofrer por anos na cama antes de morrer. Wanda ficou feliz que Mothar estava morrendo, pois logo ela iria se tornar rainha, mas ao descobrir que a doença demoraria mais dez anos para matar o rei, ela ficou ainda mais impaciente.
            Numa certa noite, Wanda esperou que todos dormissem e entrou no quarto de Mothar. Ela pegou a espada dele, a ergueu e encravou no peito de Mothar. No exato momento, Danym, meu pai, entrou no quarto e se chocou ao ver a cena. Surpresa ao perceber a entrada de Danym, Wanda retirou a espada do peito de Mothar e correu na direção dele, mas meu pai foi mais rápido e sua espada atravessou o corpo de Wanda. Ela caiu no chão, e arrependida, falou com seu último suspiro:
            - Você chegou tarde demais, meu amor. O mensageiro já está indo na direção de Werstock avisar meu pai, o rei de lá, que Mothar está morto. Dentro de alguns mêses, as tropas dele chegarão aqui, achando que eu sou a rainha agora. Mas eu vou morrer, e então eles farão guerra para conquistar Pittland. Eu sinto muito por você e seu reino. Adeus Danym.
            E então Wanda fechou os olhos e morreu.
            Naquele instante Darys entrou no quarto e viu Mothar e Wanda mortos nas mãos de seu irmão. Danym se levantou e tentou explicar oque havia acontecido, mas Darys tirou suas próprias conclusões e saiu da sala aterrorizado pelo que viu. Desesperado, Danym tentou fugir, mas dois soldados entraram no quarto e levaram Danym até o quarto de Darys.
            - Você traiu nossa família! - Darys gritou, com lágrimas nos olhos.
            - Mas foi Wanda quem matou Mothar! - meu pai tentou se defender inutilmente.
            - Ridículo! Wanda não faria isso.
            - Faria sim, ela é a filha do rei de Werstock. Ela queria se tornar rainha para seu pai conquistar Pittland. Ele está vindo com suas tropas e...
            - Não! Wanda não me esconderia isso! Ela me amava!
            Meu pai deichou uma lágrima escorrer pelo seu rosto e descarregou a sua raiva acumulada durante anos. Seu rosto ficou vermelho e ele olhou nos olhos de Darys e gritou:
            - Wanda nunca o amou! Ela sempre amou a mim. Entendeu? A mim!!!
            Naquele instante meu pai se soltou das mãos dos guardas e acertou seu punho firme na testa de seu irmão. Darys berrou e pôs a mão na testa, gritando.
            - Está sangrando! Seu imbecil! Você cortou minha testa!
            Os guardas agarraram Danym e seguraram ele longe de Darys.
            - Matem-no! Matem esse traidor! Assassino! Mentiroso!
            Os guardas apertaram o pescoço de Danym e ele, sufocando, gritou:
            - Você não pode ordenar isso! Unngh! Não pode!
            Darys então olhou meu pai com um sorriso sinistro e falou com uma voz maldosa:
            - Posso sim . . . Eu sou o rei agora. Esqueceu?
            Meu pai percebeu um tom terrível na voz de Darys, e um medo terrível o apanhou. Com toda a sua força, ele se soltou dos guardas e correu apavorado até a janela. Ele se segurou nas bordas, olhou para baixo e pulou. Tal foi a força com que mau pai caiu lá de cima, que quebrou as duas pernas. Gritando de dor e tristeza, ele se arrastou em direção ao deserto para nunca mais voltar.
            Meu pai se arrastou por mêses com as pernas quebradas, atravessando o país em busca de comida, sofrendo o calor do deserto de dia e o perigo dos animais á noite. Até que enfim, Danym chegou a uma vila no extremo norte de Pittland, morrendo de fome, gritou por ajuda no portão da cidade e desmaiou. Ao acordar, se deparou com o mais lindo rosto que ele havia visto em toda a sua vida. O de minha mãe.
            Meu pai estava tão fraco que não podia falar pelos próximos dois dias. Apenas recebia alimentos pela boca e apreciava a camponesa que lhe salvara da morte. Quando finalmente pôde falar com ela, minha mãe descobriu que havia salvado uma pessoa muito mais importante que ela havia imaginado.
            Meu pai tinha ficado desnutrido, e levou mêses para se recuperar das pernas e voltar a andar e viver normalmente. Após a recuperação, ele se casou com minha mãe, que se chamava Therhus Sophins, e viveu por dois anos na pequena cidade, onde depois eu nasci. Em todo esse tempo, meu pai estava juntando suas forças e treinando para retornar ao castelo de Pittland e subir ao trono. Nem que para isso ele teria que derrotar Darys. Quando eu completei nove anos, meu pai partiu para o castelo, jurando voltar para levar Therhus e eu para viver lá, e dizendo que eu seria o futuro rei de Pittland.
            E então ele foi na longa jornada que duraria uma semana. Na noite depois de meu pai ter saído, minha mãe teve um pesadelo terrível e sentiu que meu pai estava em perigo. No dia seguinte minha mãe me deixou em casa e saiu para trazer meu pai devolta. Mas eu estava com medo de ficar e queria ir com a minha mãe, e então eu peguei alguns pães e segui ela sem ela perceber.
            Uma semana depois, meu pai chegou no lugar que tanto esperava ver, mas seu sonho se desmoronou ao ver o castelo totalmente destruído. Mas é claro. O rei de Werstock. As tropas do rei de Werstock haviam destruído o castelo completamente. As únicas coisas que restavam eram as pedras e as cinzas. Meu pai andou pelas ruínas do antigo castelo, queimando com ele todas as suas lembranças boas de sua infância.
            Quando Danym começou a ir embora, ouviu uma voz gritar por ele. Ele se virou rapidamente e avistou um homem na distância segurando uma espada. Enquanto o homem chegava mais perto, meu pai reconhecia quem era. Era Darys. Com os cabelos e barbas compridas e o corpo sujo e machucado, ele falou:
            - Eu esperava por você, meu irmão! Os soldados invadiram meu castelo depois de você fugir. Eles me aprisionaram durante onze anos no meu próprio castelo. Eles não me davam comida. Nada. Eu tinha que comer ratos para sobreviver. Eu andava pela sala pequena e totalmente escura com esgoto até os joelhos. Você acha isso uma vida? Acha?! Apenas algums dias atrás eles resolveram ir embora e tocaram fogo no castelo. Eles acham que eu morri! Ha! Bastardos! Estou vivo! Hahaha! Vivo...
            - Você está fora de si, Darys. Os anos na prisão mexeram com sua cabeça.
            De repente, Darys ficou sério e sua expressão começou a mudar. Raiva era o sentimento que tomava Darys agora.
            - Pensa que eu esqueci do que você fez com Wanda? Pensa? Ela não te amava. Ela nunca te amou. Você matou ela.
            - Você está apenas com ciúmes de mim. Ela se casou com você apenas para se tornar rainha. Era eu quem ela realmente amava. Nós eramos amantes!
            Ao som da última frase, Darys deu um grito de raiva e partiu com toda a sua raiva para cima de meu pai, iniciando uma luta que apenas terminaria quando um dos dois morresse. Lutando com raiva e agressividade, Darys machucava meu pai mais doque ele esperava. Mas a briga era intensa e equilibrada.
            E então minha mãe chegou no castelo exausta e apavorada.
            - Danym!
            Meu pai desviou a atenção para minha mãe e se desconcentrou da luta, recebendo um golpe afiado na barriga. Ele olhou para Darys, sem se mexer, e depois para minha mãe. Com uma força tremenda, Darys atingiu a espada novamente, desta vez, arrancando o braço de meu pai, que caiu indefeso no chão. Rindo, Darys levantou a espada sobre a cabeça para dar o golpe final. E então, minha mãe entrou na frente para proteger meu pai. Darys, surpreso, não pôde previnir a sua espada de perfurar o corpo de minha mãe.
            Com um grito ela caiu aos pés de meu pai, que percebeu o ato corajoso dela. Ele se levantou, seu coração estourando de raiva, e vendo que sua vida não valeria mais apena sem seu amor, pegou sua espada com a mão esquerda, e com um grito triste e desesperado, atravessou a lâmina de sua espada pelo corpo de Darys com tanta força que separou sua cabeça do corpo. Danym então olhou para Therhus, encravou a espada sangrando no seu coração e caiu morto ao seu lado.
            Eu estava lá e vi tudo. Aos nove anos de idade, assisti á cena aterrorizante, que acabou com três mortos no chão, e nada restando para mim. Nunca vou esquecer e nunca poderia, pois minha vida se tornou uma miséria depois daquilo. Aprendi a viver sozinho e rondei pelas terras que me pertenciam, matando e comendo animais como um selvagem, e me escondendo dos novos moradores que começavam a chegar para viver em Pittland. Me tornei uma lenda de assombração, visto apenas por poucos e roubando para viver. Virei Storlak Blackhand e sou um mercenário agora, entrando em aventuras quando posso, não tendo medo da morte. E quando digo que sou rei de Pittland, todos dizem que sou louco.

* * *

back to writing

 

 

news | films | art | résumé | links

© 2006 Luis Dechtiar.